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Carlos Castaneda
Carlos César Salvador Arana Castañeda, conhecido apenas como Carlos Castaneda (
Cajamarca ou Juqueri,
25 de dezembro de
1925 —
Los Angeles,
27 de abril de
1998), foi um
escritor e
antropólogo formado pela
Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA); notabilizou-se após a publicação, em
1968, de sua dissertação de mestrado intitulada The Teachings of Don Juan - a Yaqui way of knowledge, lançado no Brasil como
A Erva do Diabo.
Vida e obra
Em 1973 revê os conceitos apresentados na primeira obra em uma versão de sua tese de
Phd intitulada
Journey to Ixtlan - Lessons of Don Juan
(Viagem a Ixtlan). Sua obra consiste em onze livros autobiográficos nos
quais relata experiências decorrentes de sua associação com o
bruxo conhecido por
Don Juan Matus, índio da tribo
Yaquis do deserto de
Sonora, no
México. Um 13° livro chamado
Magical Passes (
Passes Mágicos)
foi lançado, inclusive aparentemente destoa do conjunto da obra,
parecendo se aproximar mais de um manual prático de aplicação de
exercícios corporais de Educação Física, embora não o seja.
A Erva do Diabo, seu primeiro livro, também tese de mestrado, tornou-se um
best-seller entre os jovens do
movimento hippie e da contracultura, que rapidamente elegeram Castaneda um
guru
da nova era e formaram legiões de admiradores que queriam, por conta
própria, reviver as experiências descritas no livro. Também era bastante
relevada no meio acadêmico, sobretudo porque, em seu princípio,
tratava-se de uma obra de cunho científico e despertara o interesses de
jovens. Muitos o criticaram, pois isto, supostamente apenas atraia
jovens para o mundo das drogas e do crime. Uma história curiosa ocorreu
nos
Estados Unidos
após a publicação do livro, um grupo de jovens invadiu uma tribo
indígena e roubou sacos com aproximadamente 20kg cada para vender. Os
relatos, nunca confirmados, levaram as autoridades uma série de dúvidas
referentes ao livro, chegando a ser proibido no
Brasil,
Uma controvérsia formou-se em torno de sua figura tanto por parte de
admiradores, que queriam encontrar Don Juan pessoalmente e de alguma
forma fazer parte do processo de aprendizado, quanto de céticos, que
queriam encontrar motivos para desacreditá-lo academicamente,
argumentando que o testemunho fornecido em seus escritos era ficcional e
apontando a escassez de fontes documentais sobre sua pesquisa de campo
junto ao mestre indígena. Castaneda foi procurado pela policia durante a
ditadura militar e seus livros foram banidos de entrar no Brasil pelo
Governo Federal por acreditarem que o livro dava incentivo aos jovens do
do movimento hippie ao uso de drogas, neste caso o cactus
Peiote descrito no livro "
A Erva do Diabo"
Em 1973, no auge de sua fama, a conhecida revista norte-americana
TIME
publicou uma extensa matéria de capa sobre o autor. Esta só foi
conseguida depois de muita insistência junto aos agentes literários do
autor que, inclusive, imploraram para Castaneda posar para fotos em
ângulos parciais, o que sempre evitava a todo custo. A abrangente
matéria notabilizou-se por publicar o resultado de uma suposta
investigação envolvendo a biografia de Castaneda antes da fama, e tinha
entre seus objetivos implícitos e explícitos, o propósito de retratá-lo
como um mentiroso. A reportagem alega que Castaneda era
peruano, nascido na andina cidade de
Cajamarca.
A reportagem cita amigos da terra natal e mesmo uma irmã de Castaneda
falando sobre traços da personalidade de Castaneda, como alguém dono de
imaginação fértil e entregue ao vício do jogo e das drogas. Segundo ela,
Castaneda seria filho de um relojoeiro e teria nascido no ano de 1925.
Aos 24 anos, em 1951, teria decidido imigrar para os EUA após a
traumática morte da mãe, assassinada por seu pai e assistida por
Casataneda em seus seis anos de vida. No livro de entrevistas
Conversando com Carlos Castaneda, da jornalista Carmina Fort, Castaneda,
décadas depois, lamenta a decisão da TIME de publicar estes dados, que
teriam sido inseridos porque ela "precisava de uma história". O autor
ironiza o esforço da matéria em situar sua ascendência junto a índios
sul-americanos.
Como relata em entrevista para
Sam Keen, pensando em ir para o curso de antropologia, buscava a publicação de um
paper para dar início à carreira acadêmica. Havia lido e escrito um pequeno ensaio sobre o livro de
Aldous Huxley,
As Portas da Percepção, que havia celebrizado no mundo ocidental os efeitos psicotrópicos da
mescalina,
alcalóide alucinógeno presente em grandes quantidades no botão do cacto de
peiote,
que era usado de forma ritual por vários povos indígenas americanos.
Pesquisou o tema das plantas medicinais em livros como o de Weston La
Barre,
O ritual do peiote e partiu para o trabalho de campo no sudoeste da
Califórnia. Foi então para o estado de
Arizona, onde conheceu o índio
bruxo
conhecido como Don Juan Del Peiote. Este viria a ser seu guia, e é
personagem central nos livros autobiográficos que escreveu. O encontro
com o índio foi um episódio marcante, que é recontado várias vezes na
sua obra. Numa estação rodoviária, indicado por um colega da faculdade,
Castaneda aproximou-se e apresentou-se como especialista em peiote,
convidando o índio a lhe conceder entrevista. Como não sabia
virtualmente nada a respeito do cacto, segundo relata, Don Juan teria
captado sua mentira e devolvido-a com um olhar. Este olhar foi bastante
significativo, pois Castaneda, normalmente um homem falante e
extrovertido, ficou sem ação e tímido ao ser perscrutado. Nas
explanações posteriores, diz que Don Juan o havia capturado com o olhar
mostrando-lhe o
nagual,
pois havia percebido que Castaneda poderia ser o homem que ele
procurava para lhe passar seu conhecimento. Depois de mais alguns
encontros, Don Juan lhe anuncia sua decisão e decide levá-lo a
experimentar as plantas medicinais que Castaneda tanto pedia.
Aos poucos o jovem ocidental e acadêmico foi sendo posto ao encontro
de experiências cognitivas que desafiavam o poder de explicação de sua
razão, sendo forçado finalmente a mudar toda a sua concepção de mundo em
prol das novas explicações que o mestre lhe fornecia e que ia
compreendendo, gradualmente. Como explica no sexto livro,
O Presente da Águia,
o sistema de interpretações e crenças que se dispôs a estudar terminou
por engalfinhá-lo, ao se revelar tão ou mais complexo que o sistema
"ocidental" de interpretações do mundo.
Livros
- A Erva do Diabo (The Teachings of Don Juan: A Yaqui Way of Knowledge - 1968)
- Uma Estranha Realidade (A Separate Reality: Further Conversations with Don Juan - 1971)
- Viagem a Ixtlan (Journey to Ixtlan: The Lessons of Don Juan -
1972) Tese de PhD de Castaneda na UCLA em 1973 Título: "Sorcery: A
Description of the World"
- Porta Para o Infinito (Tales of Power - 1975)
- O Segundo Círculo do Poder (The Second Ring of Power - 1977)
- O Presente da Águia (The Eagle's Gift - 1981)
- O Fogo Interior (The Fire from Within - 1984)
- O Poder do Silêncio (The Power of Silence: Further Lessons of Don Juan - 1987)
- A Arte do Sonhar (The Art of Dreaming - 1993)
- Readers of Infinity: A Journal of Applied Hermeneutics - 1996 - Diários do trabalho de Castaneda com suas discípulas ainda não traduzido.
- Passes Mágicos (Magical Passes: The Practical Wisdom of the Shamans of Ancient Mexico - 1998)
- O Lado Ativo do Infinito (The Active Side of Infinity - 1999)
- A Roda do Tempo (The Wheel Of Time : The Shamans Of Mexico - 2000) - uma antologia de citações comentadas.